Marrocos nunca permitirá que extremistas cheguem ao poder – MNE


    A sociedade marroquina nunca permitirá aos extremistas islâmicos que conquistem o poder, disse em entrevista à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, que, como líder do maior partido islamita do país, disse não existir contradição entre Islão e democracia.
    Saad Dine El Otmani, ex-secretário-geral e atual presidente do conselho nacional do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD), maior partido da coligação governamental marroquina considerou ainda que Marrocos é um país modelo de estabilidade no mundo árabe, ao ter conseguido democratizar a sociedade sem sangue.
    “Depois das eleições [de 25 de novembro], o país soube fazer a sua transição democrática e a reforma política no quadro da estabilidade e das instituições. É um modelo no mundo árabe e em África. É um modelo porque vemos, no plano regional, o que se passa – há assassinatos, revoluções, guerras civis, violência, muitos povos fizeram a transição através da violência e de milhares de mortos”, afirmou o ministro.
    Dias depois das maiores manifestações em décadas contra o regime marroquino, em 2011, o rei Mohammed VI apresentou ao país reformas constitucionais que limitam o poder do monarca e reforçam o do governo e do parlamento, com o objetivo de evitar o contágio a Marrocos da Primavera Árabe, a vaga de protestos e revoltas pró-democracia que se espalhou pelo Norte de África e pelo Médio Oriente desde dezembro de 2010.
    A 25 de novembro, Marrocos realizou as primeiras eleições legislativas ao abrigo da nova constituição e, pela primeira vez, o rei escolheu para primeiro-ministro um elemento do partido mais votado, o PDJ, que teve, no entanto, de se coligar para formar governo.
    O facto de um partido islamita ter chegado ao poder pela primeira vez em Marrocos, é, para Saad Dine El Otmani, o resultado do “jogo democrático” e o ministro disse acreditar que a Europa já o percebeu.
    “Marrocos fez a sua transição democrática com calma, transparência e estabilidade. Eu acredito que este modelo marroquino, é uma lição para a vizinhança, e os europeus perceberam que o que se passa em Marrocos é verdadeiramente uma evolução democrática”, considerou.
    “Um país como Marrocos, que fez os seus avanços democráticos, nunca permitirá que os extremistas liderem a cena política. Nem os marroquinos, conhecidos pela moderação, pela calma, pela serenidade, aceitariam derivas”, acrescentou.
    Primeiro sob a liderança de Otmani e depois do secretário-geral Abdelilah, o PJD aumentou o número de deputados, de oito, em 1997, para os 107 da últimas eleições, mas o ministro rejeitou que isso signifique o crescimento da vaga islamita, até porque recusa esse rótulo para o seu partido
    “Sempre disse que não somos um partido islamita, mas sim um partido com um referencial islâmico, à imagem um pouco dos cristãos-democratas na Europa. É verdade que nos baseamos em valores religiosos da sociedade marroquina, mas não vejo contradição entre valores muçulmanos e a modernidade, entre valores muçulmanos e a democracia”, considerou

    Vídeo: A entrevista com o Ministro Saad Dine El Otmani
    http://www.youtube.com/watch?v=duUOuU3Yu2k