Marrocos vai hoje às urnas e já há favoritos

    Os marroquinos votam esta sexta-feira para eleger um novo Parlamento, em eleições chave após três meses de reivindicações sociopolíticas e nas quais o Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) é favorito.
    Meses depois de uma reforma constitucional proposta pelo rei Mohammed VI e massivamente aprovada por um referendo no dia 1º de julho, estas eleições permitirão que os cerca de trinta partidos políticos meçam seu peso político.
    O PJD aposta por um "efeito Ennahda", o partido islâmico tunisiano que venceu claramente as eleições de 23 de outubro, e ocupa 89 dos 217 assentos da Assembleia Constituinte da Tunísia.
    O PJD é atualmente o maior partido da oposição, com 47 deputados de 395. Uma vitória abriria  pela primeira vez as portas do governo.
    Apesar da ausência de pesquisas, proibidas duas semanas antes do início da campanha eleitoral, a maioria dos especialistas aponta para grandes chances de estar entre os primeiros.
    "O Marrocos será islamita", previa o semanário francófono Tel Quel na capa de sua edição desta semana.
    "O PJD será primeiro ou segundo", previa um de seus influentes líderes, Saadedin El Othomani, numa entrevista.
    O partido islamita terá, no entanto, dois adversários de peso: o Istiqlal (Independência), do primeiro-ministro Abbas al Fassi (52 deputados), e a União Nacional Independente (Rassemblement national indépendant, RNI, liberal), do ministro da Economia Salahedin Mezuar (38).
    As eleições também serão um teste para o "Movimento de 20 de fevereiro", que surgiu espontaneamente na onda da primavera árabe e que apela para o boicote das eleições de hoje, assim como outros partidos de esquerda.
    O índice de participação será particularmente examinado num país onde o abstencionismo tem sido elevado: apenas 37% dos inscritos votaram nas legislativas de 2007.
    Seja qual for o resultado de hoje, a vida política marroquina não voltará a ser como antes, já que será aplicada a reforma constitucional.
    A principal novidade é que o primeiro-ministro será designado no seio do partido que obtiver o maior número de votos.
    Embora preserve a primazia do rei, a nova Constituição concede mais poderes ao parlamento e ao chefe de governo.
    Este poderá, por exemplo, dissolver o parlamento, mas deverá governar no âmbito de uma coligação.
    As eleições, que serão supervisionadas por 4 mil observadores marroquinos e estrangeiros, rejuvenescerão de qualquer forma o panorama político local: 87% dos candidatos jamais estiveram no Parlamento e 45% dos candidatos têm menos de 45 anos, segundo o ministério do Interior.