Síria: Marrocos admite solução exterior ao Conselho de Segurança

    O ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino admitiu hoje, em entrevista à agência Lusa, explorar opções fora do Conselho de Segurança da ONU para terminar a violência na Síria, dias depois de o conselho ter rejeitado uma resolução no mesmo sentido.
    “Há outras iniciativas que podem ser adotadas, quer no seio do Conselho de Segurança quer fora do conselho, mas é preciso continuar a fazer pressão para que o regime da Síria acabe com a violência contra o povo sírio”, disse Saad Dine El Otmani, que iniciou na segunda-feira uma visita oficial de dois dias a Portugal.
    No sábado, a Rússia e a China impediram, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a aprovação de uma resolução proposta por Marrocos que dava “pleno apoio” às decisões da Liga Árabe, em janeiro, para assegurar uma transição para a democracia na Síria.
    “Marrocos assumiu a responsabilidade, sendo o único país árabe membro não-permanente do Conselho de Segurança, de submeter ao conselho um projeto de resolução respeitante à Síria. Infelizmente, estamos muito desapontados que o conselho tenha fracassado na adoção de uma resolução sobre a Síria”, disse Saad Dine El Otmani, na entrevista à Lusa.
    O ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino disse que Portugal e Marrocos, dois dos dez membros não-permanentes do Conselho de Segurança, vão continuar a trabalhar em conjunto em busca de uma solução para o conflito.
    “Apesar do apoio dos países árabes e dos países ocidentais, incluindo Portugal, infelizmente a resolução não foi adotada. Houve países que utilizaram o direito de veto para que a resolução não passasse. Infelizmente, o povo sírio continua a sofrer, há mortos todos os dias, é um drama, um verdadeiro drama”, considerou Saad Dine El Otmani.
    Apesar do apoio dos 10 membros não-permanentes do Conselho de Segurança – entre os quais Portugal – a resolução não passou porque a China e a Rússia, sendo membros permanentes do conselho, têm poder de veto, mesmo que os outros membros permanentes – França, Reino Unido e Estados Unidos – tenham votado a favor.
    A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, numa visita oficial à Bulgária, considerou o veto como “grotesco” a admitiu “reforçar os esforços fora das Nações Unidas com os parceiros que apoiam o direito do povo sírio a um futuro melhor'.
    A repressão violenta da constestação ao regime do Presidente sírio Bashar al-Assad já fez mais de 6.000 mortos segundo a oposição.


    Vídeo: A entrevista com o Ministro Saad Dine El Otmani
    http://www.youtube.com/watch?v=duUOuU3Yu2k