Civilizações em Marrocos

    Civilizações pré-históricas

    O Paleolítico Inferior


    O Paleolítico Inferior (Acheulense) é uma civilização cujos traços são conhecidos em Marrocos pelo menos há mais de um milhão de anos. As grandes descobertas que foram feitas deste período situam-se na região de Casablanca Carrière Thomas, Oulad Hamida, Sidi Abderrahman . As ferramentas característica deste período são compostas por seixos, bifaces, cutelos e núcleos.

    O Paleolítico Médio

    O Paleolítico Médio é conhecido em Marrocos, em diversas regiões cuja ocupação se situa entre os 200 mil anos e 30.000 anos antes da era cristã. Entre os locais de referência para esta civilização é citado: Jbel Irhoud, as grutas da costa atlântica, Dar Soltane 2, a gruta de El el Zouhrah Harhoura Mnasra 1 e 2) Taforalt, Rafas, Ifri n’Ammar??. As ferramentas características deste período são os: raspadores e as setas moustierenses.

    O Paleolítico Superior

    Cerca de 21 mil anos antes da era cristã, desenvolveu-se na região que hoje é Marrocos, a cultura Iberomaurusiana, que é caracterizada principalmente por ferramentas em forma de lâminas e pás geométricas e diversificadas bem como muita indústria óssea. As práticas funerárias desta civilização são bastante avançadas e são na sua maior parte marcadas pela extracção de dentes e pelo uso de corantes nos enterramentos. Entre os locais importantes, que produziram evidências físicas dessa cultura, podemos citar a gruta deTaforalt , na região de Oujda.

    O Neolítico

    O Neolítico é conhecido em Marrocos por volta de 6000 aC. Esta civilização é caracterizada pelo surgimento da agricultura, do sedentarismo, da domesticação, do fabrico de cerâmica e ainda pela utilização de machados de pedra. Vários sítios mostraram níveis pertencentes a esta cultura, tais como: Kaf Taht el Ghar , Ghar Kahal, Boussaria , as grutas de El Khill e a necrópole de Rouazi Skhirat.

    A Idade dos metais


    Este período é conhecido por volta de 3000 aC. As características destas civilizações, que se iniciam com o Calcolítico, são principalmente as taças e a cerâmica da Idade do Bronze, incluindo um nível de cerâmica negra documentado em algumas grutas no norte de Marrocos bem como na camada mais baixa de alguns outros sítios arqueológicos.

    Antigas Civilizações

    Os fenícios


    A tradição literária dos relatos de Plínio, o Velho, marca o início da presença fenícia na costa marroquina no final do século XII aC, sendo, Lixusa primeira fundação no Ocidente desta civilização. No entanto, os vestígios arqueológicos da ocupação fenícia não ultrapassam o primeiro terço do século oitavo. Além de Lixus,Mogador, é tida como a ocupação mais ocidental deste período fenício.

    Recentes pesquisas enriqueceram o mapa de Marrocos nesta época pela descoberta de novos sítios, particularmente na costa do Mediterrâneo.

    Período Púnico

    No século V aC. o explorador cartaginês Hannon empreendeu uma viagem ao longo da costa de Marrocos, durante a qual fundou várias colónias. A influência cartaginesa é sentida através dos ritos funerários e pela difusão da língua púnica. A partir do século III aC, a cidade de Volubilis é governada por um conselho de sufetas (magistrados) a exemplo do que acontecia em Cartago.

    Período Mauritaniano


    A primeira menção de um rei mouro remonta à Segunda Guerra Púnica, em 206 aC. quando o rei Baga garantiu ao rei Massinissa uma escolta de 4000 cavaleiros. A história deste reino começa a desenvolver-se no final do segundo século aC com o avanço dos interesses de Roma nesta parte de África. Em 25 aC, Roma colocou o príncipe Juba II como chefe do reino. Após o assassinato do rei Ptolomeu, pelo imperador Calígula em 40 dC, o reino da Mauritânia foi anexado ao Império Romano.


    A época romana

    Após a criação da província da Mauritânia Tingitane, Roma empreendeu um amplo programa de desenvolvimento urbano (Tamuda, Tânger, Zilil, Banasa, Thamusida, Volubilis, Sala ...) criando também inúmeros novos centros com presença militar. Naquela época, Marrocos registou uma significativa abertura económica nas suas rotas comerciais com o Mediterrâneo. Em 285, a administração romana retirou-se da parte sul da província (Loukkos) mantendo apenas dois núcleos: Salé e Mogador. A partir do século V, a província inteira foi evacuada.

    As dinastias islâmicas

    Os Idríssidas

    Ao contrário das províncias e distritos do leste, a islamização de Marrocos não foi fácil e demorou quase meio século (de 647 a 710). Após a conversão da população local, nasceu um sentimento social que defendia, a separação política da tutela dos califas do Oriente. Estas tentativas traduziram-se em 788, no aparecimento da primeira dinastia islâmica de Marrocos, os Idríssidas. O homem que esteve por de trás desta conquista política foi o sherif Idris ibn Abdallah, um descendente do profeta. Escapou do massacre realizado pelos Abássidas após a batalha de Fakh, perto de Meca (786), e estabeleceu-se em Walili (Volubilis). Apoiado pelos Awraba, aos quais se juntaram outras tribos Amazigh, Abdallah começou a criar um verdadeiro reino. Aos poucos conquistou Tamesna (região de Salé) Fazaz (região de Azrou-Aïn Leuh), e Telemcen. O imam Idriss morreu em 791 assassinado por um emissário do califa abássida. O seu filho, Idriss II, nascido dois meses depois, foi formalmente reconhecido com a idade de 12 anos. Muito cedo mostrou afinidades políticas. Fundou a cidade de Fez  e estendeu o seu poder sobre todo o território. Pela primeira vez as tribos Amazigh (berberes) foram unidas sob uma única autoridade muçulmana.
    Os Almorávidas
    O reinado dos Idríssidas não durará muito tempo após a morte do seu fundador. O imponente mas frágil reino será dividido entre o seu filho e os seus sucessores. A dinastia enfraquecida abre uma oportunidade para que as potências regionais da época, os Fatímidas de Ifriqiya e os Omíadas da Andaluzia exerçam a sua autoridade sobre o país. No século XI aparecem em cena os Sanhaja berberes nómadas do distante sul. Ricos e organizados, começaram uma série de expedições em nome da fé, e, chegam mesmo a estabelecer um Estado, cuja capital foi Marraquexe, em 1069. Após a luta entre os governantes muçulmanos das províncias da Andaluzia e da ameaça representada pelos reis cristãos, os Almorávidas, liderados por Yusuf ibn Tachafine, intervieram na Península Ibérica em 1086. Desta forma, uma nova era de relações estreitas entre a Peninsula Ibérica muçulmana abre-se no Magrebe.
    Os Almóadas
    A dinastia almóada teve a sua célula originária na aldeia de Tinmel na parte ocidental do Alto Atlas. É o reformador espiritual Mahdi ibn Toumert que a partir de 1125, começa a organizar um movimento de protesto iniciando uma guerra contra os Almorávidas. Partindo desde as montanhas do Alto Atlas, o grande conquistador Abd al-Ali Ibn Moumen irá começar a conquista de Marrocos a partir de 1130. A conquista durou quase 17 anos até à queda da dinastia dos Almorávidas.  Fizeram a sua capital em Marrakech em 1147 . Com todos os muçulmanos almóadas, a Andaluzia, é unificado pela primeira vez dentro de um único império. Esta unidade promoveu o desenvolvimento de uma grande civilização que é agora considerada como a época dourada do grande Marrocos medieval.

    Os Mérinides

    Berberes originários dos territórios orientais de Marrocos sucederam aos Almóadas em 1269. O legado do seu antecessor foi muito pesado para gerir e manter, e acabaram por concentrar os seus esforços somente no território marroquino. A dinastia governou dois séculos. O fim de seu reinado foi marcado pela fragmentação do país em dois reinos: o de Fez e o de Marraquexe,  por um lado, e a ocupação de lugares estratégicos, por portugueses como, Ceuta 1415, Ksar Seghir 1458, Arzila, Tânger 1471 e Melilla, em 1497.

    Os Saadianos

    A recuperação das terras perdidas e a necessidade de um governo central unificador foram os motivos imperiosos que levaram ao surgimento da dinastia saadiana. Originários do sul de Marrocos, esta dinastia é marcada pela confrontação com os exércitos portugueses de ocupação. Adquiriram assim uma legitimidade que os irá confirmar como uma dinastia em ascenção. Cerca de 1525 conquistam Marraquexe inaugurando uma série de sucessos militares que serão confirmados com a tomada de Fez em 1554. A sua impressionante vitória sobre os portugueses na batalha de Wadi el Makhazine (Batalha dos Três Reis ou Alcacer Quibir) em 1578, ressoou por toda a Europa levando Marrocos a retirar um grande benefício económico. A morte do monarca Ahmed el Mansour em 1603 prenunciou a queda da dinastia devido às lutas fratricidas pelo poder dentro da família


    Os Alauítas

    O vácuo político deixado pelos saadianos durou quase 60 anos. Durante este período o país foi dividido em pequenas entidades políticas regionais relacionadas entre si como o principado do Tazerwalt Sub. Em 1664 o príncipe Moulay Rachid, lançou uma campanha bem sucedida para a reunificação do país e fundou a dinastia alauíta. O seu reinado durou 50 anos e foi caracterizado pela construção de uma ordem política e social. Depois dele, a dinastia continuou até o protectorado francês instaurado em 1912. Através da luta do rei Mohammed V e do povo marroquino o país conquistou sua independência em 1956. Assim começou uma nova era sob o signo da unificação e de reconstrução do país. A dinastia alauíta ainda reina em Marrocos sob a égide do actual monarca o Rei Mohamed VI.